Rio de Janeiro

Diálogos

Universo em Expansão: Van Gogh e Eu

Atualizado: 15 de Set de 2020

Por: Natália Seixas

27/07/2020


O meu primeiro contato com Van Gogh foi quando eu estava na 8ª série (atual 9º ano) aprendendo sobre movimentos artísticos do final do século XIX. O que mais me chamou a atenção foi o quadro Doze Girassóis numa Jarra, o que me levou fazer um trabalho sobre Van Gogh e Impressionismo. Na época, eu não tinha menor ideia de que ia ser o início de um amor para toda a vida.

Em 2006, o ano seguinte ao da pesquisa que realizei, eu recebi meu primeiro diagnóstico de depressão. Esse diagnóstico não veio acompanhado por um tratamento com medicamentos, pois o médico achou desnecessário por conta da minha idade e também por eu não apresentar um quadro considerado grave. Basicamente, ele mandou minha avó (a pessoa com quem eu passava o dia inteiro) me vigiar, fazer exercício físico e terapia. Não preciso dizer que não foi nem um pouco eficaz, mas esse não é o momento para falar sobre o meu conturbado passado com o meu tratamento de depressão.


Enfim, eu não lembro exatamente que sentimentos eu tive quando descobri minha doença, mas eu me lembro de ter começado a ler sobre tudo relacionado à depressão ─ o que me levou diretamente ao Van Gogh. Era uma daquelas compilações sobre artistas que conviveram com depressão e produziram maravilhosas obras de arte, entre elas estava Van Gogh e nessa lista tinha o quadro "A Noite Estrelada", que se tornou minha obra favorita dele. Na época, eu li bastante coisa sobre ele e, por isso, conheço tanto de suas obras. Inclusive, eu perturbei a minha mãe até ela fazer a coleção Grandes Museus do Mundo da Folha de São Paulo porque eu queria muito o volume do Museu Van Gogh. Até hoje, para mim, essa coleção é um dos meus bens mais preciosos.


Eu não sei explicar, mas, desde que eu soube da minha depressão, a figura de Van Gogh se tornou algo reconfortante para mim. Eu olho para as obras dele e não me sinto sozinha. Não sei dizer se são as formas ou o uso das cores ou é o conjunto todo mesmo, mas tem algo nas obras dele que me enche o coração e as palavras me escapam quando tento descrever. E é até engraçado pensar sobre isso; sobre as palavras escaparem. Nunca entendi isso muito bem sobre palavras escaparem. Nas aulas de Teoria Literária, quando estamos discutindo Poesia, uma das definições era essa: uma tentativa de dizer algo que não consegue ser dito ou expressar algo quando lhe faltam palavras. Poesia nunca foi algo que me comoveu, agora penso que talvez eu entenda porque pessoas amam Poesia; Poesia é o Van Gogh delas. Porque Van Gogh é isso para mim: um mundo de cores e de múltiplos sentidos e sentimentos, que me hipnotizam e que evocam variados sentimentos toda vez que me deparo com elas.

Amar Van Gogh, para mim, é como morar num universo em expansão, pois sempre aparece uma parte nova a ser explorada e apreciada. Essa é minha sorte, eu acho. Van Gogh não se reduz apenas às suas pinturas, ele influencia a cultura pop de uma forma que poucos artistas fazem.

Quando eu estava na fandom de Doctor Who, umas das minhas séries favoritas, Van Gogh me acompanhou na forma do episódio Vincent e o Doutor─ não preciso nem dizer o quão maravilhoso e emocionante aquele episódio é para mim. Ele me acompanhou também durante minha fase de comprar Barbies colecionáveis, no qual minha mãe me deu a versão Vincent van Gogh da Barbie The Museum Collection. Também me acompanhou nas roupas, pois encontrei um par lindo de meias com a pintura de A Noite Estrelada. No entanto, o último lugar que esperei que ele fosse me acompanhar foi em K-Pop, mas ainda assim ele me surpreendeu e se fez presente. Suho, meu membro favorito do grupo sul coreano EXO, lançou seu primeiro álbum solo Self-Portrait inspirado em Van Gogh. As artes do álbum foram pinturas impressionistas do cantor com intuito de remeter ao estilo de Van Gogh, o nome do álbum é relacionado ao quadro Autorretrato, a data de lançamento do álbum foi no dia do nascimento do pintor (30 de março) e uma das músicas leva o título de um de seus quadros, Starry Night (A Noite Estrelada). Sim, meu cantor favorito escolheu meu pintor favorito para fazer seu primeiro álbum e escolheu minha pintura favorita como título de uma de suas canções ─ minha cabeça explodiu quando parei para pensar. Vincent Van Gogh está em todos os lugares que vou e eu sou grata por essa benção.

Vou terminar esse texto com um trecho do episódio de Doctor Who que exprime exatamente o que penso sobre Vincent Van Gogh:

“Para mim, Van Gogh é o melhor pintor de todos. É o pintor mais popular de todos os tempos, o mais amado. O seu comando das cores é magnífico. Ele transforma a dor de sua vida transtornada em beleza estática. É fácil retratar a dor, mas usar sua paixão e dor para retratar o êxtase, a alegria e a magnificência do nosso mundo… Ninguém fez isso antes. E acho que ninguém fará isso de novo. Para mim, esse homem estranho que vagou pelos campos da Provença não era só o maior artista do mundo, mas também um dos maiores homens que já viveu.”

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