Diálogos

ACAFÃ: Tecnologia Nuclear na Cultura Pop

Atualizado: 15 de Set de 2020

Por Natália Seixas 02/09/2020


Quando eu, Magu e Yan estávamos fazendo nossa reunião de pauta sobre essa semana, Magu me perguntou se eu não gostaria de fazer algum post sobre um dos acontecimentos da Segunda Guerra. Para quem não sabe, eu sou formada em História, então é típico eu ser responsável sobre posts relacionados a eventos históricos. Quando eu vi que o dia 1º de setembro marcava a rendição do Japão aos Aliados após o lançamento das bombas atómicas em Hiroshima e Nagasaki, eu lembrei de um post que eu havia lido há alguns anos no Tumblr e decidi trazer uma breve reflexão com base no que eu li.


Aqui está um screencap do post em questão:


O primeiro comentário, realizado por just-shower-thoughts, fala que no Japão a radiação cria monstros enquanto nos Estados Unidos cria super heróis. O comentário seguinte, feito por mallemerok, dá uma alfinetada dizendo que isso ocorre provavelmente porque o Japão e os Estados Unidos têm narrativas bem diferentes envolvendo tecnologias nucleares. O Japão foi vítima de um crime de guerra que devastou o país enquanto os Estados Unidos se estabeleceu como uma superpotência militar ─ especialmente se considerarmos que ele sofreu mínimos prejuízos com a guerra em comparação aos outros países envolvidos. Tanto que a Guerra Fria, o período pós-guerra, foi um dos momentos de maior crescimento econômico dos Estados Unidos.


Antes de ler esses comentários, eu nunca tinha parado para analisar por esse viés os maiores símbolos das culturas pop japonesa e americana. Ainda que hoje em dia, o Japão tem o anime e o mangá como ícones máximos, por um longo tempo ─ imagino que até a década de 1990 ─ a referência cultural japonesa principal no âmbito internacional era os filmes de monstros, particularmente Godzilla. Então, pensar essa referência como consequência desses trágicos eventos nos faz refletir o quanto a História influencia a cultura pop e, às vezes, de forma que a gente nem percebe.


Após essa reflexão, se torna óbvio que no Japão a tecnologia nuclear trará consequências horripilantes enquanto nos Estados Unidos a mesma dará poderes a personagens que lutam pela igualdade e liberdade de todos ─ esse princípio, ainda que seja admissível na ficção, na realidade é a baboseira imperialista que americano cospe para justificar invasões a outros países para manter sua supremacia.


E, pensando na perspectiva americana, ainda que haja obras da cultura pop que explorem as consequências negativas dessas tecnologias nucleares, o que prevalece no imaginário da cultura pop é que radiação produz super herói ─ pelo menos nos Estados Unidos. Essa percepção, que não imagino ser proposital, é algo que vive, de certa forma, no subconsciente coletivo americano e que é transmitido para as produções culturais do país.


Enfim, seja lá qual for seu posicionamento quanto a essa reflexão em particular, se torna evidente que temos que estar atentos a todas as esferas da sociedade, especialmente a de produção cultural. Nunca sabemos de qual lugar pode surgir uma consideração que pode afetar o jeito de se perceber realidades ─ falo de realidades porque não existe apenas uma. O mundo é uma constante colisão de realidades e, por conta disso, o pensamento crítico se torna um trabalho diário e infindável porque nada deve escapar de ser perscrutado. Com esse curto texto, apenas ofereço uma nova forma de perceber ícones da cultura pop tendo em mente questões diferentes das que geralmente lidamos.

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