Cattártese

O CATTÁRTESE nasce de duas palavras que, para nós, são essenciais. A arte, ligada àquilo que fazemos, e a catarse ligada àquilo que achamos necessário no nosso processo de criação. No português claro, mas desconstruído: (se identificar-se). É isso que buscamos com o CATTÁRTESE. Abrir um espaço no qual possamos expor conversas sobre histórias com as quais nos identificamos e compartilharmos aquilo que criamos para causar identificação nas outras pessoas.
 

Não à toa, o CATTÁRTESE surgiu de uma conversa sobre um povo sem memória que precisava desabafar sobre todos os seus esqueletos no armário. E isso foi mais ou menos em 2018, na esquina da Rua Sete de Setembro com a Uruguaiana. Anos depois, tivemos a certeza de que essa conversa não aconteceria através de meandros políticos formais, de congressos, de auditórios vazios e sim através da arte.
 

Nesses dois anos, concatenamos o melhor de nós no sentido artístico. Aprendemos a aglutinar pessoas, a abrir espaços, a congregar olhares e a encontrar nossas próprias vozes. Depois de muitos muros e pernas quebradas entendemos que mais do que nunca precisávamos unir a potência das pessoas que estavam ao nosso redor e, principalmente, das que estavam à margem disso.


Enquanto planejávamos o CATTÁRTESE nas últimas semanas, algumas vezes fomos perguntados sobre “a cara” do projeto. Se era uma coisa “cult”, “acadêmica”, “popular” ou “pop”. Poderia aqui fazer todo um manifesto provando que todas as definições sugeridas passam e podem ser reformuladas. O CATTÁRTESE é cult, é acadêmico, é popular e é pop. O CATTÁRTESE surge de diversos incômodos, um deles o segregacionismo entre as áreas artísticas que muitas vezes mais dialogam do que se opõem.
 

Vamos falar de Machado, de Drummond, de Pessoa, de Nazaré Tedesco, de Medeia,  de Clarice, de Glauber, da cultura literária massiva que surge na internet e invade a cultura de fãs, das músicas que ninguém ouve, das que ninguém entende e das que nós fingimos que entendemos. E podemos provar que tudo isso aí conversa entre si. Muito mais do que qualquer teórico purista poderia sonhar ou, nesse caso, ter pesadelos.
 

Como acadêmicos da área de Letras, muitas vezes nos decepcionamos ao ver pessoas com um potencial enorme serem rejeitadas ou se sentirem desajustadas em relação à arte. Como se a arte fosse etérea. Como se arte fosse sempre abstrata. Dizem que esses espaços estão mais receptivos em relação à arte... Talvez sim... Ou talvez ainda estejam olhando para as guitarras elétricas daquilo que é popular como se estas fossem instrumentos alienígenas.

 

Talvez o CATTÁRTESE seja isso. Alienígena. Ele nasce geminiano e com a lua em gêmeos. Tenho certeza que vai falar muito ainda.

 

Magu Cintra Lopes
Um dos cria
dores e idealizador do CATTÁRTESE.